Porquinho-da-índia
Cavia porcellus · species
Roedor sul-americano domesticado há milhares de anos nos Andes, o porquinho-da-índia é descendente direto de uma espécie de preá e não existe mais na natureza selvagem.
O porquinho-da-índia é um roedor sul-americano da família dos caviídeos, descendente domesticado de uma espécie de preá intimamente relacionada (C. tschudii) que habitava os Andes. Contrariamente ao que o nome sugere, não é um suíno nem tem origem na Índia, mas sim no continente americano, outrora chamado de "Índias Ocidentais". Por terem sido completamente domesticados, esses roedores não existem mais em estado selvagem.
A domesticação inicial ocorreu por volta de 5000 a.C. nas tribos nativas dos Andes, quando foram criados como alimento. Povos pré-colombianos como os Moche retratavam-nos frequentemente em sua arte, e durante séculos os indígenas utilizaram seleção artificial para desenvolver diversas variedades. Os incas denominavam-no Cuy, em referência aos gritos curtos que emite. Após o contato europeu no século XVI, espalharam-se pela Europa como animais de estimação, tornando-se moda entre a nobreza e alcançando popularidade especialmente na corte da Rainha Elisabete I.
Na cadeia alimentar, servem de presa para cobras, jacarés, felinos e outros carnívoros. Desde o século XIX, passaram a ser utilizados sistematicamente em pesquisas de laboratório. Embora seu uso em estudos tenha diminuído drasticamente nas últimas décadas (de 2,5 milhões ao ano nos EUA nos anos 1960 para apenas 207 mil em 2007), continuam importantes em pesquisas nutricionais, farmacológicas, imunológicas e contra alergias. Contribuições científicas incluem experimentos sobre termorregulação e avanços em desenvolvimento de vacinas e medicamentos.
Anatomicamente, apresentam corpo arredondado, pelagem variada conforme a raça, olhos proeminentes e orelhas pequenas. Possuem cauda atrofiada, dentição especializada com crescimento contínuo, três dedos nas patas posteriores e quatro nas anteriores, além de ausência de clavícula. Sua natureza dócil e capacidade de responder positivamente ao manuseio fizeram deles uma escolha popular como animais de estimação desde a sua introdução na Europa.
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