Rinoceronte-negro
Diceros bicornis · species
O rinoceronte-negro é um rinoceronte africano nativo do leste, sul e centro do continente, hoje criticamente em perigo com cerca de 5 mil exemplares.
O rinoceronte-negro (Diceros bicornis) é um rinoceronte nativo do leste, sul e centro da África, com distribuição que abrange o Quênia, Tanzânia, Camarões, África do Sul, Namíbia, Zimbábue e Angola. Apesar do nome "negro", sua coloração varia entre tons de marrom e cinza.
A espécie é frequentemente comparada ao rinoceronte-branco africano (Ceratotherium simum), seu único parente próximo no continente. O termo "branco" no nome deste último é considerado uma tradução imprecisa da palavra africânder "wyd", que significa largo e refere-se ao formato quadrangular do lábio superior, em contraste com o lábio pontudo do rinoceronte-negro.
Historicamente, a denominação científica gerou confusão. Carolus Linaeus nominou a espécie como Rhinoceros bicornis em 1758 (décima edição do Systema naturae), significando "rinoceronte de dois cornos". O nome baseou-se em um crânio de rinoceronte-indiano (Rhinoceros unicornis) ao qual um segundo corno foi artificialmente adicionado por um coletor, levando Linaeus a indicar a Índia como origem. Apesar dessa inconsistência, o nome consolidou-se para as duas espécies de rinocerontes africanos após o reconhecimento oficial do rinoceronte-branco em 1812. Em 1911, o Cabo da Boa Esperança foi oficialmente estabelecido como localidade-tipo da espécie.
Subespécies
A variação intraespecífica do rinoceronte-negro permanece parcialmente não resolvida entre taxonomistas. O arranjo mais aceito reconhece sete ou oito subespécies, das quais três já foram extintas em tempos históricos e uma à beira da extinção. D. b. bicornis foi a maior subespécie, abundante do Cabo da Boa Esperança até Transvaal e sul da Namíbia, extinguindo-se por volta de 1850 devido à caça excessiva e destruição de habitat. D. b. brucii, originária do Sudão central, Eritreia, Etiópia, Djibouti e Somália, teve suas populações extintas no início do século XX. D. b. chobiensis permanece restrita à região do Rio Cuando entre Angola, Namíbia e Botswana, em estado crítico. D. b. ladoensis ocorria do Sudão ao oeste do Quênia, considerada extinta na maior parte de sua distribuição, com possíveis remanescentes em áreas protegidas quenianas. D. b. longipes (ocidental) ocupou a África Ocidental mas foi declarada extinta em 2011 pela IUCN, com o último indivíduo selvagem registrado nos Camarões. D. b. michaeli habitava do Sudão à Tanzânia central-norte, restrita hoje apenas à Tanzânia. D. b. minor, a subespécie de maior distribuição, caracteriza-se por corpo compacto e cabeça proporcionalmente grande, protegida em várias reservas após reintrodução em Malawi, Botswana e Zâmbia. D. b. occidentalis, subespécie pequena adaptada a áreas desérticas e semi-desérticas da Namíbia e Angola, permanece em reservas nacionais.
Conservação
A espécie é classificada como criticamente em perigo. Atualmente, aproximadamente 5 mil exemplares subsistem em toda a África, resultado de séculos de pressão cinegética e perda de habitat. Três subespécies foram declaradas extintas pela IUCN em 2011.
Galeria
Espécies relacionadas
Parentes próximos e animais do mesmo habitat.





