Tamanduaí
Cyclopes didactylus · species
O tamanduaí é o menor dos tamanduás sul-americanos, com cerca de 20 cm de corpo e cauda preênsil, vivendo exclusivamente nas copas das árvores tropicais.
O tamanduaí é o menor dos tamanduás sul-americanos, encontrado nas florestas tropicais da Amazônia, Guiana Francesa, Suriname, Venezuela e região nordeste do Brasil, além da ilha de Trindade. Seu nome, de origem tupi, significa "tamanduazinho", em alusão ao seu diminuto porte: o corpo mede aproximadamente 20 centímetros e a cauda cerca de 25 centímetros. Seu peso raramente ultrapassa 400 gramas, assemelhando-se ao tamanho de um esquilo.
Dotado de pelagem densa, amarelada e sedosa (o que originou o nome "tamanduá-seda"), o tamanduaí apresenta listras escuras no dorso e ventre. Sua cauda preênsil funciona como um quinto membro, permitindo segurança entre os galhos. As mãos possuem dois dedos com garras longas e curvas, enquanto os pés têm quatro garras. Possui também uma junção na sola do pé que lhe permite dobrar as garras para trás, auxiliando na preensão. Os olhos e orelhas são proporcionalmente pequenos.
O tamanduaí é estritamente insetívoro, alimentando-se principalmente de formigas arbóreas e cupins, ocasionalmente comendo besouros. Consome em média entre 100 e 8 mil formigas diariamente, utilizando sua língua longa e pegajosa para forragear entre as copas. Completamente arborícola, nunca desce ao chão. De hábitos noturnos e crípticos, passa os dias dormindo enroscado no alto das árvores, saindo apenas à noite e sem se deslocar muito. Não permanece mais que dois dias na mesma árvore de descanso.
A reprodução desta espécie ocorre com maior sazonalidade entre dezembro e janeiro, embora nascimentos também tenham sido registrados em setembro, outubro e novembro. As fêmeas produzem geralmente um único filhote, com gestação durando entre 120 e 150 dias. Ambos os pais cuidam do filhote por tempo indeterminado, e o macho ocasionalmente o carrega no dorso. A fêmea deixa o filhote na árvore durante suas expedições noturnas de alimentação, por cerca de oito horas. Após algum tempo, o filhote passa a se alimentar de insetos semidigeridos regurgitados pelos pais.
As principais ameaças ao tamanduaí são a redução e fragmentação de seu habitat pelo desmatamento, incêndios florestais, além da captura ilegal para o comércio de animais domésticos. Sua baixa taxa metabólica, temperatura corporal próxima a 33°C e capacidade reduzida para termorregulação restringem sua distribuição a florestas abaixo de 1.500 metros de altitude. A população do nordeste brasileiro encontra-se isolada da população amazônica por aproximadamente 1 mil quilômetros, possivelmente desde o Pleistoceno.
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