Raposa-do-campo
Lycalopex vetulus · species
A raposa-do-campo é um canídeo brasileiro pequeno e noturno, endêmico do Cerrado, que se alimenta principalmente de cupins e habita campos e cerrados em altitude de 90 a 1100 metros.
A raposa-do-campo, também conhecida como raposinha-do-campo, jaguamitinga ou jaguapitanga, pertence ao gênero Lycalopex, não sendo uma raposa verdadeira do gênero Vulpes. Apesar de sua semelhança com raposas, está relacionada mais próxima aos lobos-guará, cachorros-do-mato e cachorros-vinagre através da evolução convergente. Seu parente vivo mais próximo é a raposa-de-Darwin, atualmente bem distante de sua zona de distribuição.
É um animal pequeno, com focinho curto e membros delgados. A pelagem apresenta cor acinzentada na parte superior e creme ou fulva na inferior. A cauda é preta na ponta com uma listra escura ao longo da superfície superior, que nos machos pode se estender pelas costas até a nuca. As orelhas e patas são levemente avermelhadas, e a mandíbula inferior é preta. Seu crânio é pequeno, com carniceiros reduzidos e molares largos.
Habitat e distribuição
Endêmica do Brasil, a espécie está associada aos limites do Cerrado, habitando principalmente campos e cerrados em altitude de 90 a 1100 metros. Também pode ser encontrada em zonas de transição, incluindo habitats abertos no Pantanal e áreas da Mata Atlântica com matriz de pastagens. Sua distribuição estende-se do nordeste e oeste de São Paulo ao norte do Piauí, passando por Ceará, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Tocantins, Bahia e provavelmente regiões abertas do sul do Maranhão e Rondônia.
Comportamento e dieta
A raposa-do-campo é onívora, com cupins do gênero Syntermes como principal alimento, encontrados em cerca de 89,5% de suas fezes. Além disso, alimenta-se de besouros, gafanhotos, frutos silvestres, pequenos mamíferos, lagartos, cobras, anuros e aves conforme disponibilidade sazonal. É um animal atento com visão, audição e olfato bem desenvolvidos, mais ativo à noite com padrão de atividade crepuscular-noturno. Solitária e tímida, defende agressivamente seus filhotes. Ocorre em simpatria com cachorro-do-mato e lobo-guará.
Reprodução
Monogâmica, forma pares reprodutivos durante a estação de acasalamento que permanecem juntos na criação dos filhotes. Após gestação de cerca de 50 dias, a fêmea dá à luz ninhada de 1 a 5 filhotes, frequentemente nascidos entre julho e agosto. Utiliza tocas de tatu abandonadas para criar os pequenos. Os machos são responsáveis por levar comida e cuidar dos filhotes, além de defender o grupo, enquanto a fêmea alimenta-se e amamenta nos intervalos. A dispersão juvenil ocorre entre nove e dez meses, quando começam a estabelecer territórios próprios.
Galeria
Espécies relacionadas
Parentes próximos e animais do mesmo habitat.





